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“Lição de maturidade democrática”, diz The Economist sobre julgamento de Bolsonaro no STF

A publicação ressalta que o Brasil mantém atenção à tentativa de golpe e que a memória da ditadura militar continua presente na sociedade
Por Júlia Meira
Atualizado há 9 meses
Tempo de leitura: 3 mins
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“Bolsonaro e seus associados provavelmente serão considerados culpados. Isso torna o Brasil um caso de teste para a recuperação de países de uma febre populista”, escreveu. Foto: Reprodução/The Economist

A edição desta semana da revista britânica The Economist trouxe em sua capa o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). A publicação apresenta a foto do ex-presidente com o rosto pintado nas cores da bandeira do Brasil e usando um chapéu semelhante ao do chamado “viking do Capitólio”. O título estampa: “Brasil oferece aos Estados Unidos uma lição de maturidade democrática”. 

O julgamento de Bolsonaro e de alguns de seus aliados está marcado para a próxima terça-feira (2). Atualmente, o ex-presidente cumpre prisão domiciliar. A reportagem afirma que Bolsonaro e seus correligionários provavelmente serão considerados culpados pela Corte, destacando que o golpe só não avançou após as eleições de 2022 por “incompetência e, não, por falta de intenção”. 

“Bolsonaro e seus associados provavelmente serão considerados culpados. Isso torna o Brasil um caso de teste para a recuperação de países de uma febre populista”, escreveu.

Sobre Donald Trump e seu governo, a The Economist afirma que os Estados Unidos vivem uma fase mais corrupta e autoritária. A reportagem cita medidas tomadas pelo ex-presidente norte-americano em defesa de Bolsonaro, como tarifas sobre produtos brasileiros e sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, além de tentativas de interferir no Federal Reserve (Fed) e ameaças a cidades governadas por democratas.

“Os Estados Unidos estão se tornando mais corruptos, protecionistas e autoritários — com Donald Trump, esta semana, mexendo com o Federal Reserve (Fed) e ameaçando cidades controladas pelos democratas. Em contraste, mesmo com o governo Trump punindo o Brasil por processar Bolsonaro, o próprio país está determinado a salvaguardar e fortalecer sua democracia”, escreveu a revista.

A publicação ressalta ainda que o Brasil mantém atenção à tentativa de golpe e que a memória da ditadura militar continua presente na sociedade. “Um dos motivos pelos quais o Brasil promete ser diferente de outros países é que a memória da ditadura ainda está fresca. Ela restaurou a democracia em 1988. O Supremo Tribunal Federal, moldado pela ‘Constituição Cidadã’ promulgada na época, ainda se vê como um baluarte contra o autoritarismo. Além disso, a maioria dos brasileiros está de olhos abertos sobre o que Bolsonaro fez. A maioria acredita que ele tentou dar um golpe para se manter no poder”.

Ao final, a The Economist afirma que políticos brasileiros, de diferentes partidos, demonstram disposição para respeitar regras institucionais e buscar reformas. Isso, segundo a publicação, transforma o Brasil temporariamente no “adulto democrático” das Américas.

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