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Política

Michelle discursa às lágrimas na Paulista, fala em humilhação e diz que Bolsonaro não irá desistir

Em discurso repleto de citações religiosas, Michelle reclamou das medidas cautelares decretadas pelo Supremo
Por UrbNews
Atualizado há 9 meses
Tempo de leitura: 5 mins
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Ela participa de manifestação em defesa do ex-presidente, pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e pela anistia aos presos nos atos golpistas do 8 de janeiro. Fotos: Reprodução/YouTube Silas Malafaia Oficial

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro discursou às lágrimas na avenida Paulista na tarde deste domingo e afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu marido, não vai desistir.

“Nunca pensei que seria tão difícil estar aqui hoje com vocês”, afirmou. “Mas creio e tenho certeza de que a gente vai passar por isso e a Justiça do Senhor vai reinar sobre a nossa nação”.

Ela participa de manifestação em defesa do ex-presidente, pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e pela anistia aos presos nos atos golpistas do 8 de janeiro.

Em discurso repleto de citações religiosas, Michelle reclamou das medidas cautelares decretadas pelo Supremo, particularmente da vigilância constante dos agentes da Polícia Penal e das revistas nos carros da família que entram e saem do condomínio em que ela vive com o marido (o objetivo é evitar que Bolsonaro fuja).

“É muita humilhação que nós estamos vivendo”, disse. “Mas faz parte. A humilhação faz parte do processo. Nós vamos sair mais fortes. Não vamos desistir.”

Michelle diz que cuida de Bolsonaro, se desdobrando como “mãe, esposa e presidente do PL Mulher”, e que tem confiança de que eles vão sair vitoriosos. “Se temos esse exército de homens e mulheres de bem nas ruas, defendendo a verdadeira democracia, é porque Deus levantou essa nação”.

A fala da ex-primeira-dama ocorre durante as articulações para a definição de que nome da direita disputará as eleições de 2026 contra o presidente Lula (PT) – e em momento em que o governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ganha força como principal escolha.

Como mostrou a Folha, Tarcísio tem conversado sob reserva com políticos sobre o perfil da chapa, o partido e até possíveis nomes de vice caso entre na disputa. Michelle está entre os cotados.

Mais cedo, organizadores das manifestações bolsonaristas em Brasília e no Rio de Janeiro reproduziram gravações de áudio enviadas pela ex-primeira dama.

“Movidos por vingança, autoridades perversas prenderam inocentes, crianças foram levadas para um campo de detenção montado na Polícia Federal. Idosas foram presas por causa do 8 de janeiro, estão sendo espancadas na cadeia”, diz ela na gravação.

Michelle disse ainda que o país vive uma ditadura que inclui perseguição política.

“Ministros, vocês prometeram cumprir as leis e defenderem a nossa constituição. Ela está sendo rasgada diariamente, injustiças são cometidas por alguns poucos do vosso meio que se dizem juízes, mas agem como tiranos.”

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), marido de Michelle, está inelegível até 2030 em razão de condenações no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação.

Por isso, a prioridade é apostar em alguém com o beneplácito do ex-presidente. Integrantes da direita avaliam que uma chapa com Tarcísio e Michelle seria imbatível por ela ser mulher, evangélica, carismática e ter o sobrenome Bolsonaro.

Nos bastidores, outra hipótese cogitada é Michelle disputar a Presidência como cabeça de chapa, representando o marido. Nesse cenário, Tarcísio concorreria à reeleição ao Governo de São Paulo.

A presença da ex-primeira-dama era dúvida até meados do dia anterior. Em agosto, ela preferiu participar de um evento no Pará e foi alvo de críticas por aliados do marido.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde aquele agosto, quando acompanhou as manifestações a distância, apareceu em vídeo e disse em mensagem divulgada em lista de transmissão: “Obrigado a todos”, “pela nossa liberdade”.

O ex-presidente é julgado no STF (Supremo Tribunal Federal) sob acusação de tramar um golpe após as eleições de 2022. Na semana passada, houve a leitura do relatório do processo e as sustentações orais da acusação e das defesas.

A partir desta terça-feira (2), os ministros da Primeira Turma começam a votar. Se condenado pelos crimes atribuídos a ele, Bolsonaro pode pegar mais de 43 anos de prisão.

Paralelamente, aliados do ex-presidente, liderados por Tarcísio, articulam a aprovação de uma proposta de anistia que abarque os condenados pelos atos de 8 de Janeiro, mas também beneficie Bolsonaro.

A maioria dos brasileiros concorda com as restrições aplicadas a Bolsonaro pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Segundo pesquisa do instituto Datafolha, 55% concordam totalmente ou em parte com a aplicação da tornozeleira eletrônica e a proibição de sair de casa à noite.

A anistia aos condenados pelos protestos golpistas de 8 de janeiro de 2023 também é rejeitada pela maioria da população, segundo o instituto. São 55% contrários, contra 35% favoráveis. Os levantamentos foram conduzidos durante os dias 29 e 30 de julho, portanto antes da decretação de prisão domiciliar.

Com informações de Arthur Guimarães de Oliveira e Gustavo Zeitel, da Folhapress

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