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Cientistas anunciam dois novos casos de remissão do HIV e avanço renova esperança na busca pela cura

Pacientes deixaram de apresentar sinais do vírus após transplante de células-tronco para tratamento de câncer; especialistas reforçam que procedimento não é aplicável à maioria das pessoas que vivem com HIV
Por Sandra Costa
Atualizado há 1 hora
Tempo de leitura: 3 mins
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Pacientes deixaram de apresentar sinais do vírus após transplante de células-tronco para tratamento de câncer; especialistas reforçam que procedimento não é aplicável à maioria das pessoas que vivem com HIV
A estratégia é complexa, arriscada e não recomendada para pessoas com HIV. Foto: Banco de Imagem.

Pesquisadores anunciaram dois novos casos de remissão prolongada do HIV durante a Conferência Internacional sobre Aids, realizada no Rio de Janeiro, que ocorre entre os dias 26 e 31 de julho.

Com os novos registros, chega a 13 o número de pacientes em todo o mundo que não apresentam sinais detectáveis do vírus após interromperem o tratamento antirretroviral, um resultado considerado um importante avanço científico na busca por uma cura para a doença.

Os dois pacientes passaram por transplantes de células-tronco como parte do tratamento contra um câncer no sangue. Após o procedimento, deixaram de apresentar evidências da presença do HIV no organismo, mesmo sem o uso dos medicamentos antirretrovirais.

A estratégia, no entanto, é considerada altamente complexa e envolve riscos significativos, motivo pelo qual não é indicada como tratamento para pessoas que vivem com HIV.

Os pesquisadores preferem utilizar o termo remissão prolongada ao invés de ‘cura’. Isso porque ainda não é possível afirmar que o vírus tenha sido completamente eliminado do organismo, além de não existir garantia de que ele não possa voltar a se manifestar futuramente.

Desde o primeiro caso documentado, em 2009, conhecido como o “Paciente de Berlim”, todos os pacientes considerados em remissão tinham, além da infecção pelo HIV, um diagnóstico de câncer hematológico. O transplante de medula óssea ou de células-tronco foi realizado para tratar a doença oncológica, e a remissão do HIV ocorreu como consequência do procedimento.

Grande parte desses transplantes utilizou doadores portadores de uma rara mutação genética, chamada CCR5-delta32, que dificulta a entrada do HIV nas células do sistema imunológico. Esse mecanismo tem servido de base para diversas pesquisas que buscam desenvolver terapias menos invasivas e mais acessíveis.

Apesar do avanço, médicos reforçam que as pessoas que vivem com HIV devem continuar seguindo rigorosamente o tratamento com antirretrovirais. Atualmente, a terapia permite que pacientes tenham qualidade de vida, carga viral indetectável e não transmitam o vírus por via sexual quando mantêm o tratamento de forma adequada.

O anúncio dos novos casos reforça o otimismo da comunidade científica, mas também evidencia que ainda há um longo caminho até que uma cura segura, eficaz e amplamente disponível possa beneficiar milhões de pessoas que convivem com o HIV em todo o mundo.

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