A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou o início das operações da ferrovia Transnordestina, quase duas décadas após o começo das obras. O trecho liberado, com 679 quilômetros de extensão, liga São Miguel do Fidalgo, no Piauí, a Acopiara, município do Ceará, passando também pelo interior de Pernambuco. Nesta primeira fase, o funcionamento será em regime de comissionamento, ou seja, com circulação em caráter experimental e transporte de carga limitado.
De acordo com a Transnordestina Logística S.A. (TLSA), responsável pela construção e operação da linha férrea, os trens vão circular inicialmente entre Bela Vista do Piauí e Iguatu (CE), em um percurso aproximado de 600 quilômetros. As composições terão duas locomotivas e 20 vagões, com velocidade máxima de 60 km/h, conforme determinações técnicas da agência.
O regime de comissionamento prevê limites de velocidade, inspeções permanentes e ações educativas nas comunidades próximas à ferrovia, voltadas à prevenção de acidentes em cruzamentos e áreas de circulação. Nessa etapa inicial, a ferrovia deve transportar grãos, algodão, minérios, gesso, gipsita e contêineres, movimentando até 1 milhão de toneladas de carga por ano.
A autorização representa um marco histórico para o Nordeste, especialmente para o Piauí, o Ceará e Pernambuco, que aguardavam o início da operação desde 2006, quando as obras foram lançadas no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Idealizada originalmente no formato de um “T” invertido, ligando Eliseu Martins (PI) aos portos de Pecém (CE) e Suape (PE), a ferrovia passou por diversas revisões. Atualmente, apenas o trecho em “L” invertido está sob concessão da TLSA. O ramal que conectará Salgueiro (PE) a Suape permanece sob responsabilidade direta do Governo Federal.
Com investimento total de R$ 15 bilhões, a Transnordestina prevê a construção de 1.2 mil quilômetros de trilhos. Deste total, mais de 56% já estão prontos e aptos para operação, enquanto o restante segue em diferentes estágios de execução.
Segundo o Governo Federal, a expectativa é de que a obra seja concluída por inteiro até 2029. Quando estiver totalmente em funcionamento, a ferrovia deverá substituir o transporte de cerca de 400 caminhões por dia, com capacidade anual de 33 milhões de toneladas de carga.




