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Economia

Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Will Bank; entenda o que muda para clientes

Autoridade monetária determinou o fim das operações da instituição digital; correntistas e usuários terão garantias e prazos definidos para acesso aos recursos
Por Sandra Costa
Atualizado há 3 meses
Tempo de leitura: 5 mins
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Os mais de 12 milhões de clientes do Will Bank, entre pessoas físicas e jurídicas, devem ficar atentos às comunicações oficiais da instituição e do Banco Central. Foto: Divulgação

O Banco Central do Brasil (BCB) anunciou, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial do Will Bank, instituição financeira digital ligada ao Banco Master e que vinha operando contas de milhões de clientes. A medida significa que a fintech encerra suas atividades por decisão do órgão regulador, que avaliou condições que comprometem a continuidade segura do serviço.

A liquidação extrajudicial é um procedimento previsto na legislação brasileira para casos em que uma instituição não tem condições de manter suas operações com segurança, preservando os interesses de clientes e credores ao mesmo tempo em que busca ordenar o encerramento das atividades.

Segundo o Banco Central e especialistas, a liquidação não significa que os correntistas perderão automaticamente seus recursos. A autoridade monetária já indicou que começam a valer procedimentos e prazos específicos para devolução ou transferência de saldos, observando regras de prioridade previstas em lei.

Os mais de 12 milhões de clientes do Will Bank, entre pessoas físicas e jurídicas, devem ficar atentos às comunicações oficiais da instituição e do Banco Central sobre como acessar seus fundos ou acompanhar o processo de devolução. Transações em andamento e movimentações futuras ficam suspensas ou controladas pelo liquidante designado pelo BC, ao passo que os saldos disponíveis podem ser bloqueados temporariamente até que as orientações sejam concluídas.

O Banco Central explicou que clientes com depósitos em conta corrente, saldo positivo em contas digitais ou recursos em produtos financeiros oferecidos pela fintech terão prioridade na ordem de pagamento, conforme prevista na norma que regula liquidações extrajudiciais. A autoridade reguladora também afirmou que demais credores serão atendidos em etapas posteriores, sempre segundo a classificação legal.

Prazos e procedimentos

Os clientes devem aguardar as comunicações oficiais sobre prazos e formas de liberação de saldos, que serão divulgadas pelo liquidante e pelo próprio Will Bank, sob supervisão do Banco Central. A recomendação é que usuários não compartilhem senhas ou dados sensíveis com terceiros que se apresentem como facilitadores do processo, evitando fraudes ou golpes.

O Banco Central não divulgou detalhes pormenorizados sobre os motivos que levaram à liquidação, mas procedimentos dessa natureza costumam ocorrer quando há insuficiência de capital, problemas de governança, riscos à segurança financeira do público ou descumprimento de normas prudenciais. A bandeira de cartões de crédito, Mastercard, informou nesta segunda-feira (19) que a Will Financeira não honrou os pagamentos devidos e anunciou a suspensão da aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank em razão das dívidas.

Vinculação ao Banco Master

O Will Bank está, desde 2024, diretamente ligado ao Banco Master que, por sua vez, está em liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, após investigações da Polícia Federal revelarem um esquema bilionário de fraudes financeiras, com manipulação de ativos, fundos fraudulentos e a prisão de seu dono, Daniel Vorcaro, por suspeitas de lavagem de dinheiro.

A liquidação extrajudicial é um procedimento aplicado pelo Banco Central que busca proteger o sistema financeiro e os interesses dos clientes, além de evitar impactos sistêmicos. Na intervenção no Will Bank, o Banco Central ressaltou que a diluição do banco digital estava ligada ao vínculo com o Banco Master S.A., controlador do conglomerado financeiro.

Confira a nota do Banco Central na íntegra:

“​O Banco Central decretou hoje, 21 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, controlada pelo Banco Master Múltiplo S/A, o qual vem operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) no contexto da liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, decretada em 18 de novembro de 2025.

O Conglomerado Master era classificado como de crédito diversificado, porte pequeno e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Master S/A.

O conglomerado detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Na ocasião da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, entendeu-se adequada e aderente ao interesse público a imposição do RAET ao Master Múltiplo S/A, ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira. Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo.

Assim, tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial.

O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição objeto da liquidação decretada.”

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