O ator Juliano Cazarré voltou a ser assunto nas redes sociais por falas polêmicas em relação aos papéis de gênero. Durante debate sobre masculinidade na GloboNews, nesta terça-feira (12), o artista chegou a afirmar que mulheres matar4m mais homens do que homens matar4m mulheres. A declaração gerou reação entre os apresentadores, que rebateram à fala de Cazarré.
Ao discutir sobre a insegurança no Brasil, o ator usou dados infundados para falar sobre violência de gênero: “Inclusive mais mulheres mataram homens, do que homens mataram mulheres […] Tem 2.500 homens assassinados por mulheres, no período em que nós tivemos 1.500 mulheres assassinadas por homens”, disse.
O consultor Ismael dos Anjos, que também participava do debate, refutou o dado informado por Juliano Cazarré. “A gente teve 1,5 mil feminicídios. É diferente. É importante distinguir que foram 1,5 mil feminicídios, que é um tipo de crime específico, que é quando uma mulher morre por ser mulher. (…) Não quer dizer que foram só 1,5 mil mulheres mortas no ano passado, não. Foram muito mais”, afirmou Ismael.
O comentário feito por Cazarré repercutiu entre os internautas, que criticaram a fala. “Esse homem é um desserviço, sinceramente”, respondeu uma usuária. “Como que um cara tem a coragem de falar isso? A cada 10 minutos uma mulher é assassin*da por um homem. Tenha santa paciência”, rebateu uma segunda.
A declaração de Juliano Cazarré cria uma falsa equivalência entre mortes de homens e feminicídios, que é o assassin*to de mulheres simplesmente por serem mulheres. O mais recente Anuário Brasileiro de Segurança Pública indica que 91,1% dos homicídios em 2024 envolveram homens, em situações de violência urbana ou durante intervenções policiais.
Em outras palavras, a maior parte das mortes de homens no Brasil não está relacionada a questões de gênero ou violência doméstica.
Ainda durante o programa, o ator da Globo falou sobre seu curso de masculinidade e chegou a afirmar que os homens têm sido colocados em discursos negativos apenas por serem homens: “Eu estou falando para os homens e meninos que estão há 20 anos ouvindo que todos eles são tóxicos só pelo fato de serem homens”, declarou.
A psicanalista Vera Iaconelli, que também estava debatendo, criticou o projeto de Cazarré: “Quando as mulheres falam: ‘Parem de nos matar’, elas não estão dizendo: ‘Parem de ser homens’. Sejam outro tipo de homem, repensem a masculinidade. Homens estão ficando muito ofendidos de ouvir mulheres. Eles pensam que tudo é uma acusação”, pontuou.
No mês passado Juliano Cazarré anunciou um curso de masculinidade intitulado “O Farol e a Forja”, com imersão presencial de três dias voltada aos homens. Segundo o ator, o objetivo é “fortalecer o homem” e combater o que ele define como enfraquecimento masculino, focando em masculinidade, cristianismo, família, paternidade e saúde, gerando intensos debates sobre papéis de gênero.




