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Brasil reduz mortes no trânsito em quase 20% em 14 anos mas registra novo aumento de casos ligados ao álcool

Estudo aponta queda histórica na mortalidade associada à combinação entre bebida e direção desde a criação da Lei Seca, mas tendência recente de crescimento reacende preocupação sobre fiscalização e conscientização
Por Sandra Costa
Atualizado há 1 hora
Tempo de leitura: 3 mins
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A chamada Lei Seca, instituída em 2008. Foto: Reprodução/Governo do Rio de Janeiro

O Brasil registrou uma redução de 19,5% nas mortes no trânsito relacionadas ao consumo de álcool entre 2010 e 2024. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (18) pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) em referência ao Dia Nacional da Lei Seca, celebrado em 19 de junho, e reforçam o impacto positivo da legislação na segurança viária ao longo dos últimos anos.

A chamada Lei Seca, instituída em 2008 e posteriormente endurecida por novas alterações legais, é considerada uma das mais rigorosas do mundo no combate à mistura entre álcool e direção.

O levantamento mostra que a taxa de mortalidade caiu de 5,7 para 4,6 óbitos por 100 mil habitantes no período analisado, refletindo avanços na fiscalização, na conscientização da população e no endurecimento das penalidades para motoristas flagrados sob efeito de bebidas alcoólicas.

Segundo os pesquisadores, a redução histórica demonstra a eficácia da legislação, mas evidencia também que a Lei Seca, sozinha, já não é suficiente para enfrentar o problema. Após um período de queda mais acentuada, os índices voltaram a apresentar sinais de crescimento em algumas regiões do país, indicando que os avanços conquistados podem estar ameaçados.

O país registrou 13.075 mortes em 2024 provocadas pela combinação entre bebida alcoólica e direção, um aumento de 6,2% em comparação com 2023.

O combate à combinação entre álcool e direção exige ações permanentes de fiscalização, campanhas educativas e políticas públicas voltadas para a mudança de comportamento dos condutores.

Em entrevista à Agência Brasil, a coordenadora do Cisa, Mariana Thibes, defende mudanças na forma de comunicação das campanhas educativas: “É preciso ir além dos anúncios de choque. A evidência mostra que eles funcionam no curto prazo, mas não mudam comportamento de forma sustentada”, disse.

Álcool continua entre os principais fatores de risco

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçam a gravidade da situação. De acordo com o organismo internacional, mais de 36% das ocorrências de trânsito envolvendo homens e cerca de 26% das que envolvem mulheres estão associadas ao consumo de bebidas alcoólicas.

O álcool compromete reflexos, coordenação motora, percepção de risco e capacidade de tomada de decisões, aumentando significativamente as chances de acidentes graves. Mesmo pequenas quantidades podem afetar o desempenho do motorista e colocar em risco não apenas sua própria vida, mas também a de passageiros, pedestres e outros condutores.

Desde sua criação, a Lei Seca passou por diversas atualizações que ampliaram o rigor das punições. Atualmente, dirigir sob influência de álcool pode resultar em multa elevada, suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), retenção do veículo e até responsabilização criminal em casos mais graves.

Os números mostram que a legislação salvou milhares de vidas ao longo dos últimos 18 anos. No entanto, eles alertam que o combate aos acidentes relacionados ao álcool depende de um esforço contínuo envolvendo governos, órgãos de trânsito, entidades de saúde e a própria sociedade.

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