O motociclista de aplicativo Wenderson Jhemerson Silva Muniz será julgado, nesta segunda-feira (22), por meio de júri popular, pela morte do estudante João Victor Fontenele Eloia, que ocorreu em 27 de setembro de 2024 durante uma corrida.
O julgamento do réu, que até então responde o processo em liberdade, será realizado pela 2ª Vara do Júri de Fortaleza em um espaço cedido pela Universidade de Fortaleza (Unifor), localizada no bairro Edson Queiroz, a partir de 9h45.
De acordo com as imagens das câmeras de segurança e de algumas testemunhas no local, o motorista havia avançado no sinal vermelho após discutir com outro piloto por volta das 8 horas da manhã. A ação fez com que o rapaz, que estava na garupa da motocicleta, perdesse o equilíbrio e caísse no cruzamento da rua Marechal Deodoro com a Avenida 13 de maio. O jovem acabou sendo atingido pelo ônibus em seguida.
O piloto que levava o universitário fugiu do local sem prestar os primeiros socorros. A vítima foi levada ao Instituto Doutor José Frota (IJF) pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas devido aos ferimentos graves não resistiu e veio a falecer no hospital.
João Victor era estudante de Engenharia da Computação na Universidade Federal do Ceará (UFC) e estava a caminho do trabalho quando o acidente de trânsito ocorreu.
Em novembro de 2024, o Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou Wenderson Jhemerson Silva Muniz por homicídio doloso duplamente qualificado, quando há intenção de matar ou quando se assume o risco de morte, além de não prestar socorro à vítima de imediato, crime que consta no artigo 304 do Código de Trânsito Brasileiro.
“O réu, agindo por motivo fútil, em razão de pretender continuar uma discussão banal de trânsito com um motociclista ainda não identificado, agiu em desprezo pela vida da vítima, seu cliente/garupeiro, tendo assumido o risco de produzir o resultado morte ao trafegar em alta velocidade, discutindo com outro motociclista, tendo, inclusive, avançado sinal vermelho”, pontuou o Ministério Público.
Outro trecho do documento do MPCE diz: “Muito embora fosse o réu o responsável por realizar o transporte da vítima em segurança, os relatos são no sentido de que era a vítima quem tentava a todo tempo apaziguar os ânimos do réu, havendo informes inclusive de que, possivelmente já temendo por sua segurança, a vítima chegou a solicitar que o réu parasse a motocicleta para que a vítima pudesse descer, pedido este que foi ignorado pelo réu”.
No dia seguinte ao acidente, em que Wenderson fugiu do local sem prestar assistência à vítima, o motorista se apresentou à polícia, onde prestou os devidos esclarecimentos e logo foi liberado.




