A morte de uma criança de 9 anos em Rondônia acendeu o alerta para uma infecção rara e letal. O menino foi vítima da Naegleria fowleri, conhecida popularmente como “ameba comedora de cérebro”, um microrganismo encontrado em águas doces, mornas e de pouca circulação, capaz de provocar uma infecção cerebral quase sempre fatal.
O caso, confirmado pela Agência de Vigilância em Saúde do Estado de Rondônia, chama atenção para uma doença considerada extremamente rara, mas que preocupa especialistas devido ao avanço das mudanças climáticas, responsáveis pelo aumento da temperatura de rios, lagos e outras águas doces, ambientes ideais para a proliferação da ameba.
No entanto, a contaminação não acontece ao beber água. A infecção ocorre quando a água contaminada entra pelo nariz, normalmente durante mergulhos, brincadeiras ou esportes aquáticos. A partir daí, a ameba percorre o nervo olfatório até alcançar o cérebro, onde destrói o tecido cerebral e provoca a chamada meningoencefalite amebiana primária (PAM).
A doença evolui rapidamente e apresenta uma das maiores taxas de mortalidade da medicina, superior a 97%. Em todo o mundo, apenas um número muito pequeno de pacientes sobreviveu após tratamento intensivo.
Sintomas aparecem rapidamente
Os primeiros sinais costumam surgir entre um e nove dias após a exposição à água contaminada. Inicialmente, os sintomas podem ser confundidos com uma meningite comum, incluindo febre alta, dor de cabeça intensa, náuseas e vômitos e rigidez na nuca.
Com a progressão da doença, surgem alterações neurológicas graves, como confusão mental, convulsões, perda do equilíbrio, alucinações e coma.
Na maioria dos casos, a morte ocorre entre cinco e doze dias após o início dos sintomas.
Casos continuam sendo raros
A infecção pela Naegleria fowleri continua sendo extremamente incomum. No Brasil, os registros são raríssimos, mas o caso de Rondônia reforça a necessidade de vigilância, especialmente durante períodos de calor intenso.
No cenário internacional, países como Estados Unidos, Índia, Paquistão e México também já registraram casos da doença. Recentemente, ocorreu um surto na Índia que levou a 42 óbitos no país.
Mudanças climáticas preocupam
O aquecimento global pode favorecer a expansão da área de ocorrência da ameba. Com temperaturas cada vez mais elevadas, rios e lagos permanecem aquecidos por períodos mais longos, aumentando as condições favoráveis para o desenvolvimento do microrganismo.
Embora isso não signifique um risco elevado para a população em geral, é recomendado redobrar a atenção ao nadar em águas doces quentes, especialmente em períodos de estiagem, quando o volume de água diminui e a temperatura tende a subir.




