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Política

Banco Master declarou mais de R$ 80 milhões em pagamentos a escritório ligado à esposa de Alexandre de Moraes

Dados enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado apontam repasses milionários entre 2024 e 2025; defesa contesta informações
Por Sandra Costa
Atualizado há 2 meses
Tempo de leitura: 7 mins
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Viviane Barci e o esposo, o Ministro Alexandre de Moraes. Foto: Albino Oliveira/Ascom/MDA

Documentos da Receita Federal enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado revelam que o Banco Master declarou mais de R$ 80 milhões em pagamentos ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

A informação foi revelada na noite desta terça-feira (7) pelo jornal Folha de S. Paulo, que teve acesso à declaração de Imposto de Renda do Master cujo sigilo foi quebrado pela CPI.

Os valores correspondem a serviços prestados entre 2024 e 2025 e foram informados pelo próprio banco ao Fisco por meio de registros de retenção de impostos na fonte, mecanismo que indica pagamentos realizados após a emissão de notas fiscais.

Parte desses dados já havia sido revelada anteriormente, apontando que, somente em 2024, foram realizados 11 pagamentos ao escritório, somando cerca de R$ 40,1 milhões. Com a inclusão de novos registros referentes ao período seguinte, o montante total ultrapassa R$ 80 milhões.

As informações foram encaminhadas à CPI após a comissão identificar a ausência desses dados na primeira remessa enviada pela Receita Federal, o que motivou uma atualização dos documentos compartilhados com os parlamentares.

O Escritório Barci de Moraes afirmou, em nota, que “nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF (Supremo Tribunal Federal)” e que “tem uma trajetória de quase duas décadas prestando serviços altamente qualificados para grandes clientes”. Detalhou, ainda, todos os serviços prestados ao Banco Master nos anos listados pelo documento informado pela Receita Federal.

O caso ocorre no contexto das investigações conduzidas pela CPI do Crime Organizado no Congresso Nacional, que apura possíveis conexões financeiras e operacionais envolvendo instituições e agentes sob análise. Até o momento, não há indicação oficial de irregularidades relacionadas aos pagamentos declarados.

Leia a seguir a nota emitida pelo escritório, na íntegra:

Nota de Esclarecimento

O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados esclarece que foi contratado, no período entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, pelo cliente Banco Master, para o qual realizou ampla consultoria e atuação jurídica, por meio de uma equipe composta por 15 (quinze) advogados. Para a realização dos serviços, também contratou outros três escritórios especializados em consultoria, que ficaram sob sua coordenação.

As duas equipes jurídicas responsáveis pela consultoria e atuação jurídicas, entre o início do contrato, em 2024, e a liquidação extrajudicial do banco, em novembro de 2025, com o consequente encerramento contratual, realizaram:

94 (noventa e quatro) reuniões de trabalho, sendo:

I.1) 79 (setenta e nove) reuniões presenciais na sede do Banco Master, todas com duração aproximada de 3 (três) horas, entre o banco, por meio de suas superintendências de Compliance e Corporativa e gerência de Compliance, e a equipe jurídica do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, para análise de documentos, discussão dos problemas jurídicos e desenvolvimento do objeto do contrato;

I.2) 13 (treze) reuniões com a presidência da instituição e a equipe jurídica, sendo 2 (duas) presenciais na sede do escritório e 11 por videoconferência, com duração aproximada de 2 (duas) horas;

I.3) 2 (duas) reuniões por videoconferência entre o jurídico do Banco Master e a equipe jurídica do escritório Barci de Moraes, com duração aproximada de 2 (duas) horas.

A atuação de uma das equipes jurídicas, juntamente com os consultores contratados, englobou a elaboração de Opiniões Legais nos casos solicitados pelo Departamento de Compliance; Revisão da Política de Captação para o Regime Próprio da Previdência Social – RPPS; Revisão do Programa de Compliance & PLDFT para a obtenção do Selo Pro-Ética, implicando em: Revisão da Estrutura do Departamento de Compliance; Revisão do Código de Ética e Conduta; Elaboração das Políticas necessárias – Política de relacionamento com Poder Público; Política de licitações e contratos; Política de contato com concorrentes; Política de conflito de interesses; Política de Partes Relacionadas, entre outras; Revisão das demais políticas e procedimentos da área de Compliance para adequação ao exigido pela Corregedoria Geral da União – CGU.

Foram produzidos 36 (trinta e seis) pareceres e opiniões legais acerca de uma ampla gama de temas, como aspectos previdenciários, contratuais, negociais, trabalhistas, regulatórios, de compliance, proteção de dados e crédito, entre outros. 

Elaboração e apresentação de processos para certificação de ética e governança, com mapeamento das atividades, levantamento de documentação-base, análise das oportunidades, elaboração e revisão e treinamentos do público-alvo sobre as novas políticas, a partir da revisão do Código de Ética e Conduta, políticas de integridade, estruturação do departamento de compliance e apoio à alta administração.

Elaboração e revisão do Manual de Gestão e Captação de Recursos do RPPS, Política de Relacionamento com o Poder Público, Política de treinamento, capacitação e certificação continuada, Política de PLDFT, Política de Risco Operacional, Política de Sucessão de Administradores, Política de Transação com Partes Relacionadas, Política de Canais de Denúncia e Investigações, Política de Gestão de BNDU, Política de fusões e aquisições, Política de Gestão de Consequências, Política de investimentos pessoais, Política de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática, Política de Suitability, Política de Comunicação, Política de Saúde e Segurança no Trabalho, Manual de Contratação de Parceiros, Manual de Procedimentos Conheça seu Parceiro – KYP, Manual de Procedimentos Conheça seu Prestador de Serviço Terceirizado.

A equipe jurídica ajudou a implementar o Novo Código de Ética e Conduta do banco, com apresentação presencial às Superintendências, e realizou consultoria sobre temas do mercado financeiro, como questionário AMBIMA, revisão de formulários de Due diligence; a elaboração de modelos de relatório regulatório sobre remuneração; preenchimento de autoavaliação do Pacto Brasil (25 de setembro e 09 de outubro de 2025), entre outros.

Outra equipe do escritório Barci de Moraes, juntamente com os consultores, atuou, principalmente, na área penal e administrativa, na análise consultiva e estratégica de inquéritos policiais, ações penais, inquérito civis, ações civis públicas e ações de interesse ou que pudessem produzir reflexos na atuação do Banco Master e de seus dirigentes, vários deles sigilosos, bem como na atuação contenciosa específica em ação penal, cujo ajuizamento ocorreu em 17/10/2024, e inquérito policial federal específico, cuja habilitação se deu em 8/4/2024.

O escritório esclarece ainda que nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF (Supremo Tribunal Federal).

O Barci de Moraes Sociedade de Advogados tem uma trajetória de quase duas décadas prestando serviços altamente qualificados para grandes clientes, unindo visão jurídica e abordagem estratégica.

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