Frequentemente os cachorros da raça Pitbull são alvo de estereótipos negativos devido a casos isolados de ataques ou mau comportamento perante animais ou pessoas. No entanto, é importante reconhecer que esses preconceitos não refletem a realidade de todos os animais, tendo em vista que, como qualquer outra raça, o comportamento é influenciado pelo ambiente, criação, socialização e treinamento.
De acordo com um estudo conduzido pela Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo e publicado no Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, o pitbull não é a raça canina que mais causa acidentes em seres humanos. O cachorro vira-lata, ou sem raça definida (SRD), ocupa a primeira posição, representando 48,4% dos casos. Em seguida, vem a raça poodle, com 7,4%. Já o pitbull aparece em terceiro lugar, com 5,9% dos incidentes.
Gerson Barros, treinador e especialista comportamental de cachorros, explica que o pitbull e outras raças, como o rottweiler, são cães que precisam de uma atenção especial, não porque são agressivos, mas sim porque podem tornar-se agressivos com potencialidade de causar danos físicos quando não tem o manejo adequado. “Todo predador tem no seu gene a agressividade, mas devido a sua adaptabilidade o comportamento pode ser controlado. Os fatores que contribuem para essa percepção equivocada é a falta de criação responsável, por uma questão cultural e a mídia desinformativa”, justifica o profissional.
Sobre a forma como os donos de pitbulls podem garantir que seus animais sejam socializados adequadamente e tenham um comportamento mais equilibrado, Gerson aponta que não vê outro caminho que não seja o adestramento. “A primeira medida, e talvez a mais importante, é andar sempre com o cão preso a uma guia. Se você não tem controle total sobre o cão, o acostume ao uso de focinheira e, em residências, ter maior cuidado com os portões”, finaliza o treinador.
A Lei Estadual 13.572/05, que aborda as restrições de circulação de pitbulls, determina que os cães só podem circular em espaços públicos no Ceará entre 23h e 4h da manhã, sendo conduzidos por indivíduos maiores de 18 anos, usando guias com enforcador e focinheira. O descumprimento pode acarretar na apreensão do animal e com multas que variam de R$ 50 a R$ 800.
Importância do treinamento adequado
A American Veterinary Society of Animal Behavior (AVSAB), organização composta por veterinários especializados em comportamento animal, advoga pela responsável tutela dos pitbulls, destacando a importância da socialização precoce, treinamento adequado e educação abrangente da comunidade.
Geovanna Silva, tutora do pitbull Theo, de dois anos de idade, disserta que o cachorro iniciou o adestramento com 6 meses em um local onde é feito adestramento de diversas raças. Ela comenta que ele era submetido a diversos momentos de lazer, como nadar na piscina, correr na esteira e ter um tempo livre para brincar com outros cães, e que as atividades foram primordiais para a maior socialização do cachorro.
O adestrador de cães Matheus Pinheiro, aponta que a responsabilidade dos tutores é de preparar os cachorros para o mundo. “Não pode exigir que ele tenha um comportamento exemplar se eu não o preparou para aquela situação. Tudo que o cão vai fazer tem que ser apresentado, mostrado para ele com calma”, esclarece o treinador.
Caso de ataque
Roseana Murray, escritora, foi atacada por três cães da raça pitbull enquanto saía de casa por volta das 6h, em Saquarema, na Região dos Lagos do Rio, no dia 5 de abril. No ataque, ela teve seu braço e orelha direitos arrancados pelos animais e foi arrastada por cerca de 5 metros.
O presidente da Comissão de Defesa dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), Reinaldo Veloso, explica que os animais não devem ser o centro da discussão, e sim a responsabilização do tutor. “É importante que a sociedade saiba que não é questão de matar os animais, mas educar os humanos.”, conclui Reinaldo.
Os responsáveis pelos animais, tiveram a prisão preventiva determinada no domingo (7), durante audiência de custódia. Contudo, a Justiça do RJ concedeu liberdade aos três na quinta-feira (11). A escritora recebeu alta na manhã desta quinta-feira (18/4), após 13 dias internada após o ataque.
*Matéria escrita pela estagiária Laysa Melo