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Consulta pública avalia incorporar tratamento para mieloma múltiplo no SUS

Aqui no Brasil, as novas opções terapêuticas aprovadas para esta doença ainda não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde.
A participação no processo é aberta tanto para a sociedade civil, como também médicos e profissionais de saúde. Foto: Divulgação.

O Mieloma Múltiplo é um tipo de câncer mais frequente em pessoas acima dos 50 anos, atingindo a médula óssea e deixando os ossos fragilizados. Apesar do alto número de casos no Brasil, as novas opções terapêuticas aprovadas para o Mieloma Múltiplo ainda não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), impossibilitando que pacientes recebam um tratamento mais adequado para sua condição.

Com o intuito de reverter esse cenário, foi aberta uma consulta pública SECTICS/MS Nº 26. Ela avalia a inclusão de carfilzomibe no SUS, tratamento indicado para pacientes com Mieloma Múltiplo que receberam uma terapia prévia. Ela está disponível para o público em geral neste link. Já para contribuição técnica/científica, ela vai estar aberta até o dia 14 de agosto e pode ser feita neste aqui.

A participação no processo é aberta tanto para a sociedade civil, como também médicos e profissionais de saúde. A partir dessas contribuições, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (CONITEC), órgão responsável por definir as terapias e procedimentos ofertados pelo SUS, avaliará a proposta de incorporação do tratamento para mieloma múltiplo nos serviços públicos de saúde.

O Mieloma Múltiplo no Brasil

Embora no Brasil ainda existam poucas informações epidemiológicas sobre o Mieloma Múltiplo, no país, dados do Painel Oncologia Brasil mostram que, entre 2013 e 2019, foram diagnosticados cerca de 2.600 casos de MM, anualmente, em ambos os sexos, estimando-se 1,24 casos/100 mil habitantes. 

O Mieloma é um tipo de câncer mais frequente em pessoas acima dos 50 anos. Os plasmócitos defeituosos acumulam-se na medula óssea, formando os plamocitomas, que é considerado um “tumor maligno”, por se tratar de um aglomerado de células defeituosas a atrapalhar o bom funcionamento das células saudáveis. 

Esse câncer atinge particularmente os ossos, deixando-os mais frágeis e suscetíveis a fraturas, que podem vir a ocorrer das mais singelas formas, como levantar do sofá, como se refletiu com a tia da representante de vendas, Rayara Araújo. 

Tudo começou em janeiro deste ano. A idosa de 62 anos quebrou a clavícula espontaneamente ao se levantar do sofá de casa. Segundo a sobrinha Rayara, a primeira providência a se tomar foi levá-la ao ortopedista, porque “era o primeiro especialista que vinha à cabeça”. 

Foi então que o profissional passou alguns exames, dentre eles a cintilografia, que foi onde iniciou a suspeita de ser um câncer. A partir daí a busca por uma resposta que culminou logo em seguida, com o diagnóstico de Mieloma Múltiplo. 

Até então, a família de Rayara havia feito os procedimentos pela rede particular, mas o alto preço gasto, cerca de R$ 20 mil, fizeram a família se direcionar para o Sistema Único de Saúde (SUS). “Conseguimos a consulta para a triagem, foi então quando iniciou o tratamento, minha tia está na quarta sessão de quimioterapia, vai para a quarta semana, na verdade”, conta. 

Por mais que a doença possa ser controlada, com o uso da medicação, não há cura. Rayara diz que é uma uma doença “muito desafiadora”. “Para a gente é tudo muito novo, então a família ouvir que é uma patologia que não tem cura, que é um dos cânceres que só tem controle mas não tem cura. Angustia muito”, diz. 

Formas de tratamento

Na maior parte das vezes, o Mieloma Múltiplo é tratado com uma combinação de medicamentos quimioterápicos, não quimioterápicos e, em alguns casos, com radioterapia. O transplante de medula óssea também é uma alternativa, porém, em geral, destinado para pessoas com até 75 anos, que apresentam bom estado clínico.

Devido ao aperfeiçoamento das intervenções medicamentosas, determinadas classes de medicamentos vêm se consolidando como preferências. Entre eles, os inibidores de proteassoma, uma substância que interfere em processos celulares indispensáveis para a célula tumoral. 

A médica Germana Frank, que atende pacientes com Mieloma Múltiplo, defende que é de fundamental importância a incorporação desse medicamento no Sistema Único de Saúde, haja vista que o SUS dispõe de um arsenal terapêutico limitado para tratar a doença. 

“Se essa doença recair, a depender de como recai, de como essa doença recai, nós não temos mais uma terapêutica no SUS eficaz para esse paciente, então nós necessitamos de novas linhas terapêuticas”, diz.

A doutora explica que o tratamento da doença é feito por uma combinação de três medicamentos de classes distintas. “Nós temos inibidores de proteassoma, imunomoduladores, temos imunoterapia, nós temos também os corticóides, então tudo isso são drogas de classes diferentes que atuam no combate a essa doença e normalmente a gente usa associado. Usamos esquemas no mínimo triplo, ou seja, três classes de drogas”, explica.

O SUS oferta os seguintes medicamentos para tratar a doença: inibidores de proteassoma de primeira geração, corticoide, imunomoduladores. 

Embora, segundo ela, o SUS detenha um arsenal terapêutico “muito bom”, no entanto, o paciente pode vir a necessitar de outras linhas. “Muitas vezes o paciente é jovem, tem uma doença muito agressiva e ele não responde ao que nós temos no SUS. É quando a gente tem que lançar mão de drogas de segunda geração, como por exemplo o carfilzomibe”, pontua. 

A médica destaca a importância da incorporação porque existem pacientes que necessitam de um tratamento com segunda linha, uma segunda geração. “Às vezes o paciente pode complicar, o paciente pode entrar em diálise, pode ter fratura, o paciente pode vir até a falecer em decorrência das complicações do mieloma enquanto aguarda uma medicação judicialmente”, afirma. 

Ela diz ainda que é importante se ter acesso a mais tratamentos para poder tratar pacientes que não respondem a essas linhas iniciais. “E a gente tem esse perfil, pacientes jovens, já refratários, que ainda tem uma performance bom, ainda tem indicação de tratar. Eu tenho paciente de 50 e poucos anos que está com a doença em atividade aguardando linha judicial”, conta.

Rayara reforça a importância do SUS estar cada vez mais equipado com tratamentos modernos para remediar a condição. “Quanto mais chances nós tivermos de termos medicações disponíveis no Sistema Único de Saúde, de forma acessível, mais esperança nos dá de dias melhores”, afirma.

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