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Vacina brasileira contra vício em cocaína e crack vence o Prêmio Euro Inovação na Saúde

Por Isabela Santana
Atualizado há 2 anos
Tempo de leitura: 3 mins
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Os pesquisadores Ângelo de Fátima, Gisele Goulart, Frederico Garcia e Maila de Castro, da UFMG, conduzem os estudos da Calixcoca. (Foto: Arquivo pessoal)

A pesquisa brasileira Calixcoca, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é a iniciativa destaque da 2ª edição do Prêmio Euro Inovação na Saúde. Trata-se de uma vacina terapêutica com grande potencial no tratamento da dependência de cocaína e crack.

Com a premiação, a equipe responsável recebe uma quantia de 500 mil euros. O Prêmio Euro, entregue nesta semana em São Paulo, é organizado pela multinacional farmacêutica Eurofarma. A cerimônia foi transmitida pelo canal da Eurofarma Brasil no Youtube e continua disponível na plataforma.

Mais votada por médicos de 17 países, a Calixcoca superou outras 11 iniciativas inovadoras desenvolvidas na América Latina, entre as quais o Capacete Elmo, aparelho de respiração assistida cearense que foi agraciado com 50 mil euros por ser vencedor na categoria Inovação Tecnológica Aplicada à Saúde.

“Essa conquista representa uma grande vitória para a comunidade de pesquisadores da UFMG e para a ciência brasileira. A Calixcoca traz esperança por se apresentar como uma importante alternativa de tratamento contra as drogas. No entanto, há ainda um longo caminho a percorrer, e esse prêmio nos estimula a continuar trabalhando para que a vacina cumpra todas as suas etapas de desenvolvimento”, destaca a reitora da UFMG, Sandra Goulart Almeida.

Anticorpos ligados à cocaína

O medicamento induz o sistema imune a produzir anticorpos que se ligam à cocaína na corrente sanguínea. Essa ligação transforma a droga numa molécula grande, que não passa pela barreira hematoencefálica. O projeto realizou etapas pré-clínicas, em que foi constatada segurança e eficácia para tratamento da dependência de crack e cocaína e prevenção de consequências obstétricas e fetais da exposição às drogas durante a gravidez em animais.

O professor Frederico Garcia, do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da UFMG, exalta os resultados alcançados até o momento nos testes da Calixcoca, mas advertiu que a vacina não pode ser encarada como uma “panaceia”. “Ela não seria indicada indiscriminadamente para todas as pessoas com transtorno por uso de cocaína. É preciso fazer uma avaliação científica para identificar com precisão como ela funcionaria e para quem, de fato, ela seria eficaz”, alertou.

Além de Frederico Garcia, os estudos reúnem os professores Maila de Castro, da Faculdade de Medicina, Gisele Goulart, da Faculdade de Farmácia, ngelo de Fátima, do Instituto de Ciências Exatas, e os pesquisadores do Núcleo de Pesquisa em Vulnerabilidade e Saúde (NAVeS) Paulo Sérgio de Almeida, Raissa Pereira, Sordaini Caligiorne, Brian Sabato, Bruna Assis, Larissa do Espírito Santo e Karine Reis.

Investimento

Até o momento, a Calixcoca é financiada pelos governos federal e de Minas Gerais e com recursos de emendas parlamentares. No fim de agosto, a reitora Sandra Regina Goulart Almeida e o professor Frederico Garcia apresentaram o projeto da vacina ao ministro Camilo Santana, da Educação, e solicitaram apoio governamental para dar prosseguimento aos testes.

Em julho, o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, anunciou, durante visita da ministra Nísia Trindade à UFMG, o aporte de R$ 10 milhões no projeto.

Em outra frente, a UFMG, por meio da Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT), empreendeu um trabalho estratégico de proteção nacional e internacional da tecnologia e busca agora parceiros para licenciá-la.

Com informações do Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG

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