Três porcos que obtinham a medula espinhal completamente lesionada voltaram a andar após receberem um gel experimental desenvolvido por pesquisadores russos. O tratamento foi idealizado através de uma pesquisa e obteve sucesso, os animais tratados recuperaram a sensibilidade em dois dias.
A pesquisa foi conduzida por cientistas do Instituto Sklifosovsky de Medicina de Emergência, em Moscou, e buscou reproduzir um mecanismo encontrado em alguns animais invertebrados, capazes de unir nervos lesionados de forma natural. Apesar disso, a técnica ainda precisa passar por novas etapas de pesquisas antes de ser avaliada em seres humanos.
SOBRE O GEL
A partir do momento em que uma medula espinhal é cortada, as extremidades lesionada se afastam e uma cicatriz é formada na região, formando uma barreira dificultando a regeneração das fibras nervosas, impedindo que os sinais do cérebro alcancem partes do corpo abaixo da lesão.
Para solucionar o problema, pesquisadores produziram um gel capaz de preencher o espaço entre as extremidades da medula e favorecer a reconexão dos tecidos nervosos.
REABILITAÇÃO
O experimento envolveu cinco porcos da raça Mangalica Húngara. Todas passaram por cirurgia para seccionar completamente a medula espinhal. Apenas três receberam o gel na região lesionada, enquanto o restante foram submetidos ao mesmo procedimento, mas sem aplicação do tratamento.
Após a cirurgia, todos participaram da mesma reabilitação, que incluía massagens diárias nas patas e estimulação elétrica muscular. Em dois dias, os animais tratados apresentaram sinais de recuperação de sensibilidade, no quinto dia, haviam recuperado o controle da bexiga.
Após dois meses da cirurgia, os três porcos tratados com o gel conseguiram ficar em pé sozinhos e caminhar usando os quatro membros. Já os que não receberam o gel não apresentaram recuperação nos movimentos.
Analisando os tecidos lesionados, os pesquisadores observaram diferenças importantes entre os grupos. Os animais não tratados haviam cicatrizes extensas, cistos preenchidos por líquido e degeneração das terminações nervosas. Já nos porcos que receberam o gel, os cientistas identificaram fibras nervosas atravessando a área lesionada, onde as conexões tinham sido restabelecidas.
PRÓXIMAS ETAPAS
Apesar dos bons resultados, os pesquisadores afirmam que o tratamento ainda está em fase experimental. Antes que a técnica seja testada em seres humanos, serão necessários novos estudos para confirmar a eficácia e segurança do produto em outros modelos de animais.
Para os autores, o trabalho mostra que os nervos gravemente danificados podem ser reconectados, uma perspectiva que há muito tempo representa um dos maiores desafios da medicina voltada às lesões da medula espinhal.




