O CER (Polo Sebrae de Educação Empreendedora) elaborou a pesquisa “Só Tem no Brasil – Caminhos para a Educação na Era da Inteligência Artificial”, que reúne reflexões e diretrizes para que a IA seja incorporada ao planejamento educacional de forma ética, inclusiva e alinhada à realidade brasileira.
O estudo parte do entendimento de que a Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma perspectiva para o futuro e passou a integrar o presente, com potencial para transformar a produção, o acesso e o compartilhamento do conhecimento. Em um país marcado por desigualdades no acesso à educação e à tecnologia, a pesquisa destaca que o desafio não se limita à adoção de novas ferramentas, mas envolve garantir que essas tecnologias ampliem as oportunidades de aprendizagem e fortaleçam o papel social da escola.
“A pesquisa reúne reflexões e recomendações voltadas a educadores, gestores escolares e formuladores de políticas públicas, contribuindo para o debate sobre os impactos da Inteligência Artificial na educação e para a construção de práticas pedagógicas mais inovadoras e inclusivas”, destaca Fabiana Pinho, gerente de Educação Empreendedora do Sebrae Minas.
A gerente ressalta que a Inteligência Artificial não substituirá o papel da escola nem o do educador. Pelo contrário, deverá ocupar um lugar estratégico como mediadora do processo de aprendizagem. “A IA amplia possibilidades, mas é o educador quem dá sentido e propósito ao uso das tecnologias, estimulando competências essenciais como pensamento crítico, ética, criatividade e empatia”, afirma Fabiana Pinho.
Como integrar a IA à educação
Entre os destaques do estudo está o conceito de “educação com flow”, que propõe a integração das tecnologias digitais ao ensino de maneira planejada e consciente, favorecendo o foco e a aprendizagem profunda. A proposta é utilizar os recursos oferecidos pelas plataformas digitais e pela Inteligência Artificial para enriquecer o processo de ensino e aprendizagem, sem substituir o papel dos professores nem a importância da mediação pedagógica.
A pesquisa também ressalta a necessidade de consolidar a escola como um ambiente voltado à experimentação, à colaboração e ao desenvolvimento integral dos estudantes. Nesse contexto, as instituições de ensino assumem um papel estratégico ao promover práticas que estimulem a inovação, a participação ativa dos alunos e o equilíbrio entre atividades presenciais e recursos digitais.
Outro aspecto enfatizado pelo levantamento é a valorização dos saberes locais e da diversidade cultural. Embora a IA amplie as possibilidades de produção de conteúdo, o estudo alerta para os riscos da homogeneização das ideias e destaca que a riqueza das experiências humanas, das realidades territoriais e das diferentes manifestações culturais é essencial para tornar o processo educativo mais significativo.
O estudo também aponta que o desenvolvimento de soluções baseadas em Inteligência Artificial deve considerar as características e as demandas do contexto brasileiro. Para os pesquisadores, o uso transformador dessas tecnologias depende da atuação conjunta de educadores, instituições de ensino, poder público e iniciativa privada, com o objetivo de desenvolver ferramentas capazes de responder aos desafios e às necessidades da educação no país.




