O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), assinou o tombamento definitivo da Casa de Frei Tito de Alencar, religioso considerado símbolo de resistência no período da ditadura militar e da luta a favor dos direitos humanos. O ato solene ocorreu no Paço Municipal, nesta quinta-feira (30).
“Frei Tito é uma referência para o nosso estado, e para a capital, de homem de luta, que não aceitou aquilo que estava sendo posto, e esse documento é uma forma de reconhecer isso e uma expressão do nosso carinho”, afirmou Evandro.
O decreto, que será publicado no Diário Oficial do Município (DOM), destaca a dimensão simbólica da antiga residência de Frei Tito, situa o imóvel no entorno e determina os critérios para a realização de intervenções.
No artigo primeiro, descreve: “Fica tombado em definitivo, como Patrimônio Histórico e Artístico Municipal de Fortaleza, a Casa de Frei Tito, situada na Rua Rodrigues Júnior, 364, Centro, Fortaleza-CE, por esta salientar a dimensão simbólica em que se envolve o imóvel no que tange à luta pela memória de Frei Tito e aos movimentos que lutaram contra a Ditadura Civil-Militar e pelos Direitos Humanos (…)”.
Segundo a titular da Secretaria da Cultura (Secultfor), Helena Barbosa, a casa de Frei Tito deve se tornar um memorial sobre a vida, a luta e a resistência do religioso.
“Com o tombamento definitivo, a gente pode fazer intervenções. A Coordenadoria de Patrimônio da Secretaria de Cultura já tem um projeto arquitetônico para o espaço, que vamos submeter a um edital do Governo do Estado para iniciativas culturais das prefeituras”, disse.
Nildes Alencar Lima, irmã de Frei Tito, descreveu a assinatura do decreto como um “ato patriótico”. “O Tito se construiu ali, naquela rua, naquele espaço. Essa memória do Tito, que fica ali naquela casa, tem que ser uma memória viva, participativa, de fato e de direito”, destacou.
Quem foi Frei Tito
Frade católico brasileiro, Tito de Alencar nasceu em 14 de setembro de 1945, em Fortaleza. Na infância e adolescência, morava na Rua Rodrigues Júnior, no 364, com os pais, Laura e Ildefonso de Alencar Lima e dez irmãos.
Quando mudou-se para São Paulo, foi preso e torturado com choques, queimaduras, espancamentos e afogamentos, relatados em carta escrita dentro da prisão. Exilado em um convento em Lyon (França), foi encontrado morto em 1974, período da Ditadura Militar no país.




