O parlamentar italiano do Movimento Europa Verde, Angelo Bonelli, enviou um ofício aos ministérios das Relações Exteriores, da Justiça e do Interior sobre as medidas a serem adotadas no caso da deputada Carla Zambelli (PL-SP). O deputado afirmou que será “uma vergonha para a imagem da Itália” se o governo não autorizar a extradição de Zambelli.
Bonelli cobra que o governo da Itália respeite o tratado de extradição firmado com o Brasil em 1989. O movimento político do parlamentar foi feito nesta quarta-feira (4), quando ele também cobrou colaboração com a Interpol e o cumprimento do acordo bilateral de extradição.
O italiano ainda questionou as autoridades do país: “Consideram modificar, na primeira oportunidade legislativa adequada, às normas da Lei de 5 de fevereiro de 1992, nº 91, para revogar a cidadania italiana de pessoas condenadas por crime de golpe ou tentativa de golpe, crimes contra a humanidade, incitação à subversão violenta da ordem econômica ou social estabelecida no Estado, ou à supressão violenta da ordem política e jurídica do Estado?”.
No texto enviado aos ministros italianos, destacou também as declarações públicas de Zambelli sobre usar o sistema de saúde italiano e sua intenção explícita de fugir da Justiça brasileira. A deputada, por sua vez, tem cidadania italiana e já declarou que pretende usar esse título para evitar a extradição.
Zambelli anunciou, nesta terça-feira (3), que deixou o Brasil com destino à Itália após ser condenada a dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva da deputada nesta quarta (4) e mandou a Polícia Federal (PF) realizar os procedimentos necessários para incluí-la na lista de difusão vermelha da Interpol, a fim de “viabilizar o competente pedido de extradição”.
A bolsonarista afirmou ter saído do país alegando tratamento médico, mas admitiu que o objetivo é escapar do STF. “Tenho passaporte italiano, podem colocar a Interpol no meu encalço, mas eles não conseguirão me tirar da Itália”, alegou.
Ela também mencionou que escolheu o país europeu por seu sistema de saúde pública, considerando os custos elevados nos Estados Unidos.




