A atriz Andrea Beltrão, de 61 anos, revelou que nunca sofreu discriminação por não acreditar em Deus, ao relembrar papel feito em “Jogo de Cena” (2007) durante o programa “Conversa com o Bial”, na última sexta-feira (4).
“Ninguém nunca me chateou. Nem sei o que falam de mim, não tenho a menor ideia, ainda bem. Já basta o que penso a meu respeito, que muitas vezes não é nada bom. Acho bacana ter fé. Bonito. Mas eu não vim com essa graça. Acredito mais no que o Pepe Mujica (ex-presidente do Uruguai) diz que quando a gente morre ‘vira um silêncio mineral’. Que coisa linda”, declarou a artista ao ser questionada sobre as reações após se declarar abertamente ateia.
Antes de chegar ao assunto, Bial relembrou entrevista concedida em 2007 por Andrea a respeito de seu papel no filme de Eduardo Coutinho “Jogo de Cena”, onde a atriz interpreta uma mãe que perdeu o filho ainda jovem.
“Todas às vezes que eu fazia bem mecanicamente, tudo bem, passava. Agora quando tentava fazer bem serena, tentando me aproximar da serenidade dela, eu não conseguia. Na hora que eu tentava me aproximar da serenidade dela, não conseguia. Na hora que ela falava ‘meu bebê’ é uma p*** m***. Acho que é porque eu não tenho religião. Então para mim morreu, acabou. Acho que quando uma pessoa tem religião, ajuda. Ela acredita que o filho está vivo em algum lugar. Eu queria tanto acreditar que o filho estivesse vivo em algum lugar”, disse em entrevista na época.
Ainda sobre religião, Bial questionou a atriz: “Se você morrer e Deus te receber?”. Segundo Andrea, iria responsabilizá-lo por tudo que aconteceu: “Mas você deixou acontecer tanta coisa triste. Lógico que estou te responsabilizando. O senhor tinha que ter tomado conta da gente. Eu ficaria chateada. Porque é muita coisa triste”.
A artista também falou sobre o não uso das redes sociais. “Não tenho rede social. Tenho a que a minha filha Rosa cuida pra mim, mas é assumidamente tocada por ela. Eu só posto alguma coisa profissional. Já tive na época da pandemia, mas entrou aquele alerta do celular dizendo você acaba de passar 8h no telefone. Aí falei não posso [passar por isso]”.




